UM FOCO EM NOSSA HISTÓRIA

O COMEÇO

Estamos precisamente a 226 anos do dia em que Miguel Carvalho e Silva teria tomado posse do lugar denominado “ Sitio da Boa Esperança”. Mais de dois séculos são decorridos, e mesmo assim existe muita gente crédula, ao ponto de aceitar como fidedigna, a fonte informativa, que sem exibir documento escrito, mas tão somente, baseado na tradição oral, dava  dia, mês e ano, da chegada do primeiro colono a este pedaço de chão que nos é tão caro. Silva, fixava residência e constituía família, na mesma data da concessão, somos levados a crer que tal fato só teria sido possível, se a parte cedente aqui estivesse representada por autoridade ou pessoa munido de outorga de poderes, ou, o que seria mais absurdo, se o próprio Governador da Província aqui estivesse para firmar a carta cedendo o citado imóvel.

Não parece incrível, soberbo e admirável que Miguel Carvalho e Silva tenha chegado aqui , munido de um documento cedendo-lhe s terras onde hoje se assenta Esperantina, 37 anos antes da Independência dos Estados Unidos  da América do Norte? Não parece maravilhoso que tenhamos um documento histórico grafado 77 anos antes da morte da rainha de Portugal, Dona Maria ( a louca), mãe do príncipe  regente, D. João VI?

Dou como verdadeira a informação de que tenha sido Miguel Carvalho e Silva, o primeiro proprietário do Sítio Boa Esperança; entretanto não é justo que por simples informes de fonte oral, aceitemos a data de 13 de julho de 1739 como o dia de sua chegada aqui, a não ser que o documento em questão seja trazido a lume.[

O fato não é tão velho como foi apregoado. A coisa é mais recente.

   
Infelizmente ninguém tem autoridade para indicar o local exato do sítio Boa Esperança. Podemos presumir. Entretanto, seria absurdo afirmar uma coisa da qual até hoje nenhum estudioso apresentou documento comprovativo.

Podemos aventar, ficando como simples hipótese, que Miguel Carvalho e Silva tenha feito pousada, instalando-se provisoriamente nas proximidades do caudal, donde em seguida, depois de conhecer as terras circundantes, arribou para fixar estabelecimento definitivo em local do seu melhor agrado.

O espesso véu do passado não nos permite reconstituir a rota por ele utilizada. Os seus descendentes  encontramo-los localizados  em diversos pontos do município, entretanto desconhecemos completamente o lugar onde o velho Carvalho e Silva tenha montado residência. Vários são os lugares que  indicamos, isto seguramente, onde viveram os seus rebentos e colaterais. As fazendas: Taboca, Limpeza, Jatobá, Olho D’ água dos Pires, Coité e outras, foram todas elas pertencentes aos filhos e netos do colono português. Para melhor fundamentar esta afirmativa, basta dizer que em quase todas elas ainda vivem os Castelos Branco, os Rego Castro e outros, todos com grau de parentesco facilmente provado, identificando-os plena seguramente com o velho tronco de uma grande e majestosa  árvore genealógica que foi o português Miguel Carvalho e Silva, em terras de Esperantina.

Trecho do livro “Esperantina à Luz da História” de autoria de Antonio Sampaio, publicado em julho de 1965.                                 

              fazenda Olho D"agua dos Pires, uma foto histórica.
"A história é êmula do tempo, repositório dos fatos. testemunha do passado, exemplo do presente, advertência do futuro." 
                                                                                                                           Miguel de Cervantes